Uma série de coisas rápidas
Fast-food, nissin lámen
Propaganda subliminar
_ um momento, por favor _
Um átimo
Um rol de processos lentos
Um jantar, flores na mesa
Um livro a terminar
Um momento a ser rememorado
Fatos atemporais
O cigarro de depois
A palavra que faltou
O olhar correspondido
O momento que permaneceu
Uma foto, uma colagem
Uma rotina
Uma pintura
Um pretérito imperfeito
Ou mesmo um mais-que-perfeito
Feito de pretéritos perfeitos
Um fato
Uma coisa rápido
Um processo lento
O olhar correspondido
Um jantar, flores na mesa
O cigarro de depois...
_Um momento, por favor.
(2005)
quarta-feira, 14 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
(isto não é um poema de amor, é apenas um) PEQUENO POEMA DE UM GOSTAR PERENE
Quando eu quase esqueço de como a acho linda, ela surge deslumbrante.
Quando eu quase esqueço de como a acho doce, ela se mostra um nicho de carinho.
Quando eu quase esqueço de como a acho inteligente, ela me apresenta pontos de vista que só ela poderia apresentar.
Quando quase esqueço de como a acho elegante, ela demonstra um estilo inigualável.
Quando quase esqueço de como a acho especial, ela expõe seu talento.
Quando me lembro o quanto gosto dela, ela me lembra do quanto isso é inviável.
Quando eu quase esqueço de como a acho doce, ela se mostra um nicho de carinho.
Quando eu quase esqueço de como a acho inteligente, ela me apresenta pontos de vista que só ela poderia apresentar.
Quando quase esqueço de como a acho elegante, ela demonstra um estilo inigualável.
Quando quase esqueço de como a acho especial, ela expõe seu talento.
Quando me lembro o quanto gosto dela, ela me lembra do quanto isso é inviável.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
ACREDITAR, EU NÃO
Todo dia eu acordo acreditando menos em tudo. E a cada dia que se segue as crenças que ainda me restam vão caindo, uma a uma, até minha hora de dormir e de novamente acordar crendo ainda menos. Cada vez mais perto de não acreditar em mais nada.
Alguns já me perguntaram como eu conseguia. Alguns já me tentaram convencer de que suas próprias crenças poderiam ser aplicáveis a mim. Alguns (até muito doutos, por sinal) já me disseram ser impossível não acreditar em nada. Pois eu lhes digo, caríssimos amigos e leitores: eu chego a não acreditar nem mesmo na minha existência, o que se dirá no que há além de mim. O que se dirá em vocês.
O que acontece é que para a esmagadora maioria, mesmo para os mais estudados, o ato de acreditar em algo é de suma importância, chegando a ponte de ser considerado fundamental, indispensável, fator sine qua non para concepção das coisas. Acho tão ingênuo as pessoas não entenderem que o contrário de acreditar não é desacreditar. Ora, a negação nada mais é que a afirmação do não. Nem mesmo isso eu ouso. Lembrem-se: o que se opõe à crença é a dúvida. E a "irmã" da dúvida é a curiosidade, mas é uma irmã meio preguiçosa... eu preciso acordá-la junto comigo!
É a curiosidade de saber a que ponto eu chegarei que me move, mais que qualquer coisa que eu posso vir a descobrir ou a (des)acreditar neste caminho. E sempre buscar saber os "comos", os "por quês", sempre contestando, sempre indo mais fundo, sempre nunca acreditando na resposta pronta, seja ela de onde vier. Seja de quem vier. Me permitam explorar todas as possibilidades que meu pensar permite e até além. Me deixem duvidar.
Me permitam não acreditar em conceito nenhum, nem mesmo no de vida. Me permitam acreditar que tudo que é humano é limitado. Me permitam duvidar até de meus próprios pensamentos, mas não me deixem de fazer vislumbrar as possibilidades que suas (tentativas de) explicações possam me dar. Apenas peço que entendam que eu irei duvidar e irei questionar.
Até o dia em que eu não precisar mais acordar nem duvidar de mais nada.
Alguns já me perguntaram como eu conseguia. Alguns já me tentaram convencer de que suas próprias crenças poderiam ser aplicáveis a mim. Alguns (até muito doutos, por sinal) já me disseram ser impossível não acreditar em nada. Pois eu lhes digo, caríssimos amigos e leitores: eu chego a não acreditar nem mesmo na minha existência, o que se dirá no que há além de mim. O que se dirá em vocês.
O que acontece é que para a esmagadora maioria, mesmo para os mais estudados, o ato de acreditar em algo é de suma importância, chegando a ponte de ser considerado fundamental, indispensável, fator sine qua non para concepção das coisas. Acho tão ingênuo as pessoas não entenderem que o contrário de acreditar não é desacreditar. Ora, a negação nada mais é que a afirmação do não. Nem mesmo isso eu ouso. Lembrem-se: o que se opõe à crença é a dúvida. E a "irmã" da dúvida é a curiosidade, mas é uma irmã meio preguiçosa... eu preciso acordá-la junto comigo!
É a curiosidade de saber a que ponto eu chegarei que me move, mais que qualquer coisa que eu posso vir a descobrir ou a (des)acreditar neste caminho. E sempre buscar saber os "comos", os "por quês", sempre contestando, sempre indo mais fundo, sempre nunca acreditando na resposta pronta, seja ela de onde vier. Seja de quem vier. Me permitam explorar todas as possibilidades que meu pensar permite e até além. Me deixem duvidar.
Me permitam não acreditar em conceito nenhum, nem mesmo no de vida. Me permitam acreditar que tudo que é humano é limitado. Me permitam duvidar até de meus próprios pensamentos, mas não me deixem de fazer vislumbrar as possibilidades que suas (tentativas de) explicações possam me dar. Apenas peço que entendam que eu irei duvidar e irei questionar.
Até o dia em que eu não precisar mais acordar nem duvidar de mais nada.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Composição
E eu, que não sou de escrever canções
Quando o faço, ainda são para você
Mesmo depois de tanto tempo,
Mesmo já não mais te conhecendo,
Mesmo nunca mais nos encontrando,
Tudo o que o meu coração lembra e sente
Me mostra o que, de algum modo, me faz vivo
E não sei se quero esquecer, nem sei se consigo
Porque eu, que não sou de escrever canções
Quando o faço, ainda são para você
Mesmo tão longe das ruas que conhecem nossa história
E de tudo aquilo que um dia fez parte de nós
Ainda me vêm teus olhos na memória e ainda ouço a tua voz
E o presente, que tento fazer com que seja novo
O que já foi ainda é e será, mas sei que, entretanto,
Nada disso importará muito quando ou se eu voltar
Mas eu, que não sou de escrever canções
Quando o faço, ainda são para você
Quando o faço, ainda são para você
Mesmo depois de tanto tempo,
Mesmo já não mais te conhecendo,
Mesmo nunca mais nos encontrando,
Tudo o que o meu coração lembra e sente
Me mostra o que, de algum modo, me faz vivo
E não sei se quero esquecer, nem sei se consigo
Porque eu, que não sou de escrever canções
Quando o faço, ainda são para você
Mesmo tão longe das ruas que conhecem nossa história
E de tudo aquilo que um dia fez parte de nós
Ainda me vêm teus olhos na memória e ainda ouço a tua voz
E o presente, que tento fazer com que seja novo
O que já foi ainda é e será, mas sei que, entretanto,
Nada disso importará muito quando ou se eu voltar
Mas eu, que não sou de escrever canções
Quando o faço, ainda são para você
domingo, 29 de janeiro de 2012
da ausência
Sinto falta de você passar de repente, me olhar, sorrir e dizer oi.
Sinto falta de você passar de repente, me olhar e sorrir.
Sinto falta de você passar de repente e me olhar.
Sinto falta de você passar de repente.
Sinto falta de você passar.
Sinto falta de você.
Sinto falta.
Até mesmo da mera possibilidade.
(28.01.2012)
Sinto falta de você passar de repente, me olhar e sorrir.
Sinto falta de você passar de repente e me olhar.
Sinto falta de você passar de repente.
Sinto falta de você passar.
Sinto falta de você.
Sinto falta.
Até mesmo da mera possibilidade.
(28.01.2012)
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
EU NUNCA
Eu nunca mais vou dizer que te amo.
Eu nunca mais direi nada que seja parecido, seja em que língua for.
Eu sequer demonstrarei por gestos ou olhares.
[dose]
Eu nunca mais escreverei poemas, cartas, tampouco um bilhete.
Nem mesmo dedicarei ou cantarei ou comporei temas ou canções
que evoquem você ou qualquer lembrança que eu possa ter.
Muito menos ouvirei ou ainda dançarei contigo aquela canção.
[dose]
Mas você já me conhece o suficiente
para saber das minhas verdades.
E continuará sabendo que, mesmo no silêncio
e até mesmo na omissão,
Eu nunca deixarei de ser aquele a quem você pode recorrer.
Eu nunca deixarei de ser aquele com quem você pode contar.
[sua dose]
O que é não deixará de ser.
Não deixará de ser nunca.
Apenas deixará de ser para sempre.
[brindemos]
Beijo.
Boa noite.
Durma bem.
Eu nunca mais direi nada que seja parecido, seja em que língua for.
Eu sequer demonstrarei por gestos ou olhares.
[dose]
Eu nunca mais escreverei poemas, cartas, tampouco um bilhete.
Nem mesmo dedicarei ou cantarei ou comporei temas ou canções
que evoquem você ou qualquer lembrança que eu possa ter.
Muito menos ouvirei ou ainda dançarei contigo aquela canção.
[dose]
Mas você já me conhece o suficiente
para saber das minhas verdades.
E continuará sabendo que, mesmo no silêncio
e até mesmo na omissão,
Eu nunca deixarei de ser aquele a quem você pode recorrer.
Eu nunca deixarei de ser aquele com quem você pode contar.
[sua dose]
O que é não deixará de ser.
Não deixará de ser nunca.
Apenas deixará de ser para sempre.
[brindemos]
Beijo.
Boa noite.
Durma bem.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
TORCIDA
Prever, prevenir, previdência... mesma origem, tão próximas, mas com aplicações tão diversas.
Podemos prever certas coisas e ainda assim sermos imprevidentes. Podemos nos prevenir de tudo justamente para não precisar prever nada. E ainda termos a opção de simplesmente não prever nada, não nos prevenirmos contra nada, sermos imprevidentes em relação a tudo.
E o resultado quase sempre é parecido.
Alguns torcedores em finais de campeonatos têm o costume de levar um cartaz com a seguinte inscrição: “EU JÁ SABIA”. Eu sempre brinco que é aplicável a qualquer resultado, só o que muda é a expressão facial e corporal daquele que segura o tal cartaz.
Às vezes só o que falta em algumas situações é o cartaz. Eu já sabia.
Eu já sabia que aquele show seria ótimo.
Eu já sabia que conseguiria aquele emprego.
Eu já sabia que a viagem daria certo.
Eu já sabia que não deveria ter tomado aquela terceira dose.
Eu já sabia que nunca daria certo entre eu e ela.
Eu já sabia que aquela prova seria difícil assim.
Eu já sabia. Mas às vezes eu sabia e não me preveni. Às vezes eu preferi não saber.
E algumas vezes restam alguns troféus.
Um diploma.
Uma boa lembrança.
Uma memória dolorida.
Uma conta a ser dificilmente parcelada.
Um porta-retratos.
Algo novo e que nunca foi usado que foi direto para um fundo de armário.
Eu já sabia.
Podemos prever certas coisas e ainda assim sermos imprevidentes. Podemos nos prevenir de tudo justamente para não precisar prever nada. E ainda termos a opção de simplesmente não prever nada, não nos prevenirmos contra nada, sermos imprevidentes em relação a tudo.
E o resultado quase sempre é parecido.
Alguns torcedores em finais de campeonatos têm o costume de levar um cartaz com a seguinte inscrição: “EU JÁ SABIA”. Eu sempre brinco que é aplicável a qualquer resultado, só o que muda é a expressão facial e corporal daquele que segura o tal cartaz.
Às vezes só o que falta em algumas situações é o cartaz. Eu já sabia.
Eu já sabia que aquele show seria ótimo.
Eu já sabia que conseguiria aquele emprego.
Eu já sabia que a viagem daria certo.
Eu já sabia que não deveria ter tomado aquela terceira dose.
Eu já sabia que nunca daria certo entre eu e ela.
Eu já sabia que aquela prova seria difícil assim.
Eu já sabia. Mas às vezes eu sabia e não me preveni. Às vezes eu preferi não saber.
E algumas vezes restam alguns troféus.
Um diploma.
Uma boa lembrança.
Uma memória dolorida.
Uma conta a ser dificilmente parcelada.
Um porta-retratos.
Algo novo e que nunca foi usado que foi direto para um fundo de armário.
Eu já sabia.
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