quinta-feira, 16 de junho de 2016

Pitangus lictor

Quando a pedra se apaixona pelo pássaro, ela deve sempre lembrar que só o terá por alguns instantes, por muita sorte, se o pássaro resolver pousar sobre ela.

Se ela conseguir um meio de voar até ele, o matará.

À pedra, o quase imutável solo; ao pássaro, o ar, os galhos das árvores, talvez um ninho, mas sempre a brevidade.

Quando o pássaro se apaixona pela pedra, deve decidir se deixará nela alguma marca. E deve lembrar que, feita a marca, ela permanecerá.

Se ele um dia voltar a pousar sobre ela, ela se recordará. Mas não é dos pássaros lembrar.

Quando a pedra e o pássaro se apaixonam, eles continuam sendo uma pedra e um pássaro.

Não deveriam ser permitidos os sentimentos às pedras nem aos pássaros.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

FALTA UM NOME NO MEU SOBRENOME

Antes de adentrar no tema do texto a seguir gostaria de fazer duas coisas:
1. Me desculpar com todos os membros de minha família e explicar que não se trata de negação, rejeição e menos ainda de menosprezo a quaisquer de nossos antepassados de quem herdamos nossos nomes que nos unem.
2. Dizer que, caso algum dos meus conhecidos tenha um dos nomes ou cujo nome se enquadre nos parâmetros que citarei a seguir, que espero que saibam contextualizar e compreender minhas palavras e não considerarem como algum tipo de ataque pessoal.

FALTA UM NOME NO MEU SOBRENOME!

Recentemente, um desses aplicativos bobinhos do facebook me fez repensar em um assunto com o qual, vira e mexe, eu me deparo e que eu sempre vejo uma série de declarações pautadas pelo lugar-comum, mesmo entre algumas pessoas que considero bastante inteligentes, que têm por objetivo invalidar uma questão que toda diretamente na identidade de uma imensa parcela da população brasileira, aliás, americana. Gostaria de salientarque eu sei muito bem diferenciar um discurso de invalidação de uma real contestação e também de dúvidas reais.

Este aplicativo tenta adivinhar (na verdade, não passa de uma brincadeirinha com aleatoriedades, eu sei disso) a “descendência”(sic) das pessoas. Nem vou comentar sobre o usso errado do termo “descendência” neste caso, pois já tratei disso há algum tempo. O tal aplicativo me dava antepassados até na Austrália, mas em nenhuma das vezes que tentei apareceu que eu teria em meu DNA algum ancestral africano. Ora, eu sei também que não passa de uma brincadeirinha sem compromisso nenhum com a realidade, mas uma coisa me chama a atenção sempre que este assunto surge, inclusive em conversas menos descontraídas: boa parte das pessoas ainda tenta negar o direito do outro se declarar firmemente AFRODESCENDENTE.

As razões dessa negação não variam muito, sempre pendem para o lado das alegações de “ditadura do politicamente correto”, de “vitimização”, de “não se pode culpar agora as pessoas por erros passados da humanidade”... e muitas vezes quem deveria ter argumentos de defesa de uma ideia também acaba sucumbindo à tentação do uso repetitivo de palavras de ordem e bordões.

Pois farei agora duas afirmações, em caixa alta:

EU SOU UM AFRODESCENTENTE SUL-AMERICANO e, por causa disto, FALTA UM NOME NO MEU SOBRENOME.

É isso que muita gente, mesmo os “bem intencionados”, não percebe. Muitos desses já disseram, com orgulho, em algum momento na vida: “sou descendente de espanhóis”, “minha avó é italiana”, “tenho sobrenome polonês”; algumas vezes demonstrando até um bom conhecimento da história de seus ascendentes: “meu bisavô era um exímio sapateiro em Coimbra” ou “somos yonsei de uma tradicional família de lavradores”. Ok. Eu não tenho nenhum motívo, o menor que seja, para contestar alguém conhecer e afirmar suas ancestralidades, mas vou te contar uma coisinha sobre uns bons dois terços da minha árvore genealógica e também da de outros milhões de brasileiros): EU NÃO SEI A MINHA. E vou dizer o porquê de eu não saber: NÃO ME FOI PERMITIDO SABER.

Quando escravizaram e trouxeram os africanos para cá em navios do mesmo modo como fazem os caminhões clandestinos que transportam aves das granjas para os abatedouros, tiraram-lhes seus nomes, suas nações, suas profissões. Eram apenas “um negro forte”, “uma negra robusta”, “um negrinho rápido”. Eu não sei se meus ancestrais foram um agricultor do Congo ou uma sacerdotisa da Nigéria. Também não sei se tenho em minhas origens o sangue dos tapuias ou dos tamoios. Eu sei o meu Borges. Eu sei o meu Alves. Eu posso até ir mais longe e saber sobre os Tavares ou os Lopes ou Silva. Talvez, dessa herança, eu possa, um dia, pegar uma lata de azeite de graça no supermercado.


Mas é só isso e isso é só uma parte, ainda que ornada de bandeiras e brasões. Uma parte de três, eu diria. O que eu vou falar sobre as outras duas? O que eu vou falar sobre a maior parte das três? Nada me resta além de dizer “SOU UM AFRODESCENDENTE”, e direi isso com todas as letras e todas as nações que couberem nessa palavra. E peço... não. Eu EXIJO que levem isso em consideração toda vez que evocarem os seus sobrenomes de consoantes dobradas e semivogais de pronúncia complexa. Lembrem-se seus ícones midiáticos e seus patrões que atendem por “Ksyvickis”, “Michaelichen”, “Meneghel”, “Gentilli”, “Salles”, “Villela”, “Civita” e outros tantos. Lembrem-se deles e do orgulho que eles têm e que vocês também têm em portarem o nome de seus antepassados por tantas gerações e a possibilidade de fazer esses nomes permanecerem por tantas outras. E apenas não ouse, nem em pensamento, dizer que há uma “ditadura do politicamente correto” ou que há uma “opressão” por se fazer questão de afirmar suas raízes. E faça uma boa autoavaliação antes de tentar responder que “desse jeito todo mundo é afrodescendente”. Se você pensa assim, eu sinto muito. Você ainda não entendeu nada. E espero, sinceramente, que um dia possa aprender.

DISCURSO INDIRETO

Fui falar sobre você e não soube como te adjetivar.

Eu poderia dizer “amiga”, mas você sempre foi (nós sempre fomos) vários passos além disso e eu nunca te chamei assim.

As outras palavras e expressões que indicam o que eu sentia (sinto) ou o que nós tínhamos igualmente nunca foram aplicáveis e tampouco usadas por nós.

Para me referir a você, direta ou indiretamente, teu nome sempre bastou.

Fui falar sobre você e não soube.

E calei teu nome e o assunto.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

SEIS ANOS EM UM INVERNO DE SOL

2015 foi o ano em que completei 40 anos de idade. Cumpro minha promessa de comemorar o meu aniversário de volta à minha terra, da qual eu me afastei voluntariamente por seis anos. Mais importante que essa volta, foi esse período longe.

Muito fui questionado quando me decidi por ir morar em Fortaleza por um tempo. Muitos acharam que eu iria para não mais voltar. Outros tantos acharam que, uma vez lá, eu permaneceria. O que posso dizer é que, por mais que duvidassem, o meu retorno era a pedra fundamental da minha ida, e nunca houve como essa decisão ser modificada, não importando os fatores (e isso teve um custo).

Esse período, que foi para mim ao mesmo tempo exílio e retiro, me foi fundamental para uma retomada de certos pontos na minha vida. Nunca tive como objetivos me reinventar ou me reconstruir, mas me reformar, executar certos consertos essenciais para que eu pudesse colocar as coisas em seus devidos lugares e esta arrumação só pode ser feita agora, após minha volta.

Hoje, talvez (e ainda com algum receio de ser mal compreendido), posso responder a uma pergunta que invariavelmente me era feita enquanto morava em Fortaleza: "Você gosta daqui?". Há duas verdades que respondem a isto: 1. Gostar ou não da cidade nunca teve muita importância, o que, consequentemente, fez com que eu não me importasse em gostar ou, menos ainda, me importasse em criar algum vínculo afetivo com o local e 2. Fortaleza é uma cidade até bonita, litoral etc., mas com indisfarçáveis problemas como um racismo e um machismo tão transparentes e expostos que chegam a assombrar tal a "naturalidade" de certas situações. Nunca houve como eu gostar de Fortaleza, mas tive muita sorte de me cercar das pessoas certas e é o momento de falar delas.

Cada pessoa com a qual eu interagi nessa cidade foi fundamental no meu processo de retomada. Eu tinha que ser mais correto, mais centrado e mais humano do que eu jamais fora. Ninguém sabia quem ou o que eu era. Para todos, assim como para a cidade, eu era apenas "alguém de fora". Ter a consciência disso gerava o cuidado redobrado de saber onde pisar e o que dizer, não que com isso eu me visse forçado a, o tempo todo, "pisar em ovos", embora o começo tenha sido realmente assim,  mas aprender se perceber como "o outro" me fez ter muito mais sensibilidade ao também enxergar o outro como alguém que tem uma historicidade que eu desconheço e devo respeitar.

Entre algumas mudanças, Fortaleza é a cidade onde eu deixei de ser "músico" para me tornar apenas "o cara do violão". Mas me tornei mais professor, então a balança equilibrou.

Na continuidade deste lidar eu fiz contatos,  amizades sinceras, me encantei, me apaixonei, amei e até fui amado. Muito. Cada pessoa com quem estive pode ter a certeza de que, no que depende da minha vontade, jamais será esquecida, por mais que os momentos que tenhamos compartilhados tenham parecido, a uma visão menos atenta, fugazes ou irrelevantes. Não foram. Trago todos comigo e a saudade ficará, cada um em seu devido grau, com a sua devida importância. Cada um de vocês trouxe um bocado de luz e calor neste período de inverno da minha alma, ainda mais brilhantes que o sol da "Terra da Luz".

Já faz seis meses que voltei e ainda não consegui rever boa parte dos amigos daqui. Por uma série de motivos, ainda não foi possível. Alguns desses motivos fazem parte justamente desse processo de retorno. Eu nunca menti para mim mesmo que seria fácil, que seria tranquilo. Mas eu os reverei.

Alguns eu não poderei rever porque foram para outros pousos ou, como se diz eufemisticamente, "se foram". Destes, a impossibilidade de ter me despedido sempre será muito dolorida, especialmente por não estar junto dos amigos em comum e não ter com quem compartilhar e mesmo aliviar essas perdas.

Mas estou de volta à mon pays, onde, como eu costumava dizer, "eu não preciso saber o nome das ruas, pois as ruas já sabem o meu nome". E as ruas e as pessoas me conhecem, com toda a minha história e, consequentemente, meus erros e defeitos. Espero que ainda me reconheçam. Espero ter conseguido voltar melhor. 

Eu poderia continuar muito mais, mas eu só quero agradecer a cada um que esteve comigo neste tempo de partida e retorno, que foi para mim como um grande ano que durou exatos 2.273 dias. 

Nos reveremos, de algum modo, em 2016. Enfim, um novo ano, em que o novo e o já estabelecido ganharão nova amálgama. Que o novo surja e que o passado nos dê base. Hora de conferir de verdade se "a vida começa aos 40". Estou acreditando que, se não começa, pelo menos se renova.

Conto com a ajuda de vocês.

Beijo do velho.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

CAUSA E INCONSEQUÊNCIA

Muitas coisas acabam ficando no imaginário coletivo como indissociavelmente relacionadas de um modo que chega a ser nocivo.
Ah, a tranquilidade de poder gostar sem querer para si é um conforto que poucos hoje sabem ter. O querer bem sem a necessidade do desejar é um tipo de liberdade de sentimentos tremendamente pacificadora.
Chego a pensar que talvez seja este o real significado do tal "desapego" que tantos por aí apregoam e que eu só consigo ver mensagens egoístas e hedonistas de desconsideração ao outro enquanto igual.
Aparentemente, as pessoas conseguiram desassociar o desejo do sentimento, mas só em uma via. Pode-se desejar sem querer vínculos, mas esquecem de qualquer possibilidade além, mesmo que seja um processo de três fatores: o gostar, o querer e o “não”. Assim (por favor, me corrijam os especialistas em cálculos de possibilidades), há pelo menos quatro grandes possibilidades, não apenas duas. E deve-se lembrar inclusive que, em qualquer uma das configurações possíveis, há que existir a concordância plena do outro, especialmente no “não”.
Gostar é bom, faz bem. Desejar também é bom. Acredito realmente que o problema não está no desejar, mas como isto tem sido propagado e feito. Como lidar com o querer em um mundo em que em que tudo é potência e explosão e que preconiza a posse e a auto-satisfação acima de tudo? É um exercício constante, mas quando dá certo, a alma voa.
Queria poder voar tantas vezes quanto me fosse possível, mas nem sempre posso negar ser eu também parte do hoje.

Por enquanto, me basta estar satisfeito em lembrar que gostar e querer não seguem uma relação obrigatória de causa e consequência.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O SONO DOS JUSTOS


Há alguns dias, uma nova amiga, em um momento de desabafo (por conta de uma decepção com alguém e problemas decorrentes disto), pergunta "deve ser muito ruim saber que voê errou feio com alguém, né?". Mesmo sabendo que se tratava de uma pergunta retórica, que não precisava de mais que uma resposta que cumprisse a função fática, ou seja, permissiva para a continuidade da fala, meu ímpeto foi o de dizer "sei como é isso melhor do que ninguém", mas não o fiz, inclusive porque ela precisava dar prosseguimento ao seu desafogo e à sua catarse.
Pouco tempo depois, uma dessas pessoas com as quais eu já "errei feio" me fez uma pergunta de sopetão. Para ela a questão fora corriqueira e até inocente, mas houve uma lacuna de contextualização que me congelou por me rememorar tais erros. Só depois eu fora esclarecido que o contexto da pergunta era outro, mas é isso que é ter a consciência do erro.
E tempo todo, em nossos dias, inclusive hoje, vemos uma exacerbação do ser feliz em sua forma mais egoísta e imediata. A regra (que não é nada nova, não é, Piaf?) é a do “je ne regrette rien”. Vou na contramão. Faço questão dos meus arrependimentos. Não os esqueço, sob o custo de cometer os mesmos erros e ainda assim os cometo. Eu gostaria de verdade de achar que, como diz a canção, “eu não posso causar mal nenhum a não ser a mim mesmo”, mas eu sei que tenho capacidade de fazer males a outras pessoas também e já fiz, e boa parte delas ter sido descuido, desleixo ou algo realmente involuntário não me exime da tomada de consciência, o que se dirá do que eu já tenha alguma noção ao fazer. E há dias em que os principais erros pesam de forma mais contundente
É-me estranha uma sociedade em que todos são tão únicos e tão especiais... mas isso tampouco chega a ser alguma novidade, não é mesmo, Fernando Pessoa? Quem dera a mim também ouvir de alguém a voz humana que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; que contasse, não uma violência, mas uma cobardia... Estou igualmente farto se semideuses inimputáveis. que contasse, não uma violência, mas uma cobardia... Estou igualmente farto se semideuses inimputáveis.
Mas não, nem tudo é só arrependimento. Há momentos dos quais há o que se orgulhar e, na maior parte do tempo, a ambiguidade e o nada. Mas esses ficam para um outro dia, um outro texto. Hoje eu fico com o que me arrependo e revendo onde e com quem eu posso ter errado, justamente para poder tentar me melhorar. E, ainda assim, saber que só poucas vezes isso dá efetivamente dá certo.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

NO MEIO DA NOITE

Sou do tempo de esperar o telefone tocar. A verdade é que hoje em dia nem sei mais se é certo dizer "tocar"; eles vibram, chiam, apitam, assobiam, piscam... e nem mais é preciso atender, pode-se apenas ler as mensagens, ouvir os recados, verificar as notificações, todas perfeitamente identificadas, sem um traço de mistério na autoria... As tecnologias evoluem e modificam os processos e atos, mas o efeito permanece e o ponto de partida também: alguém em um determinado momento, tão inesperado quanto previsível, resolve dizer o que estava contido por vergonhas, inadequações ou o simples e angustiante "não saber o que dizer".

Quando acontece, é quase sempre durante os fins de semana, invariavelmente nas madrugadas. O autor normalmente se encontra em um estado psicológico atípico: um instante imediatamente após uma ocorrência traumática ou, mais comumente, um estado de razão alterada por estímulos químicos externos (ou tão-somente "embriaguez").

A emissão habitualmente gera um sentimento de culpa e constrangimento posterior logo na manhã seguinte. "Eu não deveria ter feito isso" é uma certeza ao se lembrar e se dar conta do feito.

Já ao receptor as reações não são tão típicas a ponto de ser possível descrevê-las em uma breve lista, menos ainda os momentos de recebimento das mensagens. Pode-se estar simplesmente dormindo - o que é uma sorte se o telefone estiver desligado ou sem som-, pode-se ver os recados deixados ao amanhecer (já acrescidos dos pedidos de desculpas); pode-se estar com o novo affair, o que configuraria o pior dos cenários (não... o pior seria este ainda atender o telefonema); pode-se estar em uma festa e o recebimento das mensagens se tornar motivo de chacota alheia... possibilidades mil, enfim.

Porém, algumas poucas dessas tão plurais variáveis encontram terreno oportuno e, apesar da vergonha do depois, de algum modo florescem.

Pode ser um telefonema às três da manhã com uma conhecida voz dizendo "eu só queria dizer que te amo" ou uma mensagem de texto que nem precisaria ser identificada dizendo "eu ainda penso em você". Certas vezes pode até ser uma confissão codificada no meio de uma conversa contando com a não compreensão do receptor e essa intenção acabar sendo frustrada por ele e algumas vezes pode ser bem mais simples... às vezes o inesperado surge e "só queria dizer... sei lá... 'oi'", como quem conta com o seu ombro para um alento (sem fazer perguntas).

Já fui tanto emissor como receptor e, em cada um desses papéis, segui caminhos paralelos e opostos. Todas as emissões resultaram no esperado arrependimento... acontece. Porém sempre tive a sorte de receber tais recados, sejam mais passionais e exagerados ou suaves e contidos, em momentos nos quais eu não apenas podia recebê-los sem ônus como, por vezes, chegavam a ser bem vindos como respostas aguardadas de perguntas igualmente nunca feitas por vergonhas, inadequações ou o simples e angustiante "não saber como dizer".

Algumas vezes essas mensagens surgem quando se está no meio do processo de escritura de um texto sobre como elas acontecem. Um tipo especial de coincidência. Alguns chamariam de "destino".

E lá se vão nove parágrafos.